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Débora Pimentel
23 junho 2026
5 min para ler
Romanos 9 não é uma passagem fácil, pois parece mostrar um Deus injusto e frio, mas vamos tentar entender o que Paulo explica aqui:
¹¹ E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), ¹² já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. ¹³ Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú.
Paulo está a falar de Esaú e Jacó. Esaú, sendo o filho primogénito, devia ser o filho escolhido por Deus para cumprir a Sua promessa. Mas não foi o que aconteceu. Podemos dizer que Deus escolheu Jacó porque Esaú não deu importância à sua primogenitura (Gênesis 25:29-34), mas não é isso que o versículo 11 de Romanos 9 nos diz. Deus escolheu-o antes de terem nascido, não por ter conhecimento do que ia acontecer, mas porque era o Seu propósito quanto à eleição.
Mas isso não parece injusto? Paulo fez essa mesma questão para que não houvesse dúvidas e porque sabia que essa seria uma dúvida natural de se ter:
¹⁴ Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! ¹⁵ Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. ¹⁶ Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.
Embora o verso 11 seja claro quanto a Deus escolher sem ter por base qualquer ação nossa, alguns dizem que Deus escolheu tendo por base a escolha do homem, ou seja, Deus escolheu Jacó porque Jacó O escolheu. Mas não é isso que lemos e que é reforçado no verso 16. A escolha de Deus não depende do que façamos, depende única e exclusivamente Dele.
Aliás, se esta passagem estivesse a dizer que Deus escolheu Jacó com base na escolha de Jacó por Deus, que sentido faria Paulo querer explicar a suposta injustiça de Deus? Se tivesse sido Jacó a escolher, ou se fossemos nós a escolher, essa pergunta não se colocaria, porque Deus estaria apenas a confirmar uma escolha nossa.
Mas quem escolhe é Deus, e não o homem.
John MacArthur diz que o versículo 14 prova que esta passagem está a falar de uma escolha de Deus sem interferência humana em detrimento de outros, pois de outra forma não faria sentido ele querer explicar que Deus, apesar disso, não é injusto.
¹⁷ Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. ¹⁸ Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz.
¹⁹ Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade? ²⁰ Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? ²¹ Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?
Podemos dizer então que Deus é injusto?
O versículo 18 parece duro, mas faz Dele injusto? Não, foi Deus que nos criou. Sem Deus não somos nada. Nós somos o barro, nós somos pó, por isso não somos ninguém para questionar Deus.
Nós fomos criado para a glória de Deus (Isaías 43:7; Romanos 11:36), por isso as coisas acontecem com esse propósito (Efésios 2:10).
Mas faz sentido só escolher alguns?
²² Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, ²³ a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, ²⁴ os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?
Nós pecámos e a paga disso é a morte. Isso é o que todos merecemos. E Deus mostra a Sua justiça, o Seu poder e a Sua ira contra o pecado suportando aqueles que terão a justa condenação.
Na verdade, isso era o que todos merecíamos, pois se Deus não tivesse escolhido alguns, esses nunca o escolheriam. Mas Deus também quis mostrar a Sua misericórdia e o Seu amor salvando alguns.
Deus suporta os que estão destinados para a perdição (v.22). Aqui não há uma escolha, o homem segue o seu caminho natural, a destruição. Deus apenas escolhe para a salvação (v.23). Uns suporta pacientemente até ao seu destino final e outros escolhe, transforma e molda para a Vida Eterna.
Então para Sua glória total, Ele mostra na eleição a Sua justiça permitindo que o homem tenha o destino que merece, a morte, e o Seu amor em salvar outros. Os dois lados perfeitos de Deus, a justiça e o amor.
Assim, eu glorifico a Deus por ser um Deus justo que não deixa o pecado sem castigo e glorifico a Deus porque mesmo sem merecer me amou e me escolheu para ser salvo e viver com Ele para toda a eternidade.

Junta-te a nós