A soberania de Deus

A SOBERANIA DE DEUS (Daniel 4)

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Débora Pimentel

10 agosto 2025

7 min para ler

O ser humano é por natureza orgulhoso e, por isso, tende sempre a achar que é o dono da sua vida e que tudo o que tem ou é, deve-se às suas capacidades.

O problema é que realmente nós não somos os donos das nossas vidas. Deus é o Senhor das nossas vidas. Mas para conseguirmos admitir e aceitar isso temos que nos humilhar e perceber que não somos nada.

Infelizmente o que acontece muitas vezes é que apesar de sabermos que Deus é soberano sobre todas as coisas não aceitamos isso para as nossas vidas.

Então, Deus vai-nos mostrando mansamente que precisamos Dele, mas o nosso orgulho impede-nos de ouvir a Sua voz.

A Bíblia fala de um rei que tinha um grande problema com o orgulhoso.

A LOUCURA DE NABUCODONOSOR (DANIEL 4:1-37)

Nabucodonosor tinha o império mais poderoso da época. Ele foi das personagens mais importantes da história da humanidade, influenciando o desenvolvimento político, cultural e religioso de vários povos. Nabucodonosor expandiu o seu império conquistando muitas terras, entre as quais Jerusalém.

Achados arqueológicos mostram os seus templos aos ídolos e palácios magníficos. A cidade era fortemente guardada pelos seus portões e por muros altos, largos e profundos para que ninguém pudesse atacar o reino. O reino da Babilónia tinha também os famosos jardins suspensos, uma das sete maravilhas do mundo antigo.

E este rei adorava gabar-se do seu poder, glória, majestade e do seu grande reino.

Mas um dia Nabucodonosor teve um sonho que o perturbou e quis saber a sua interpretação. Mandou chamar os seus magos, encantadores, feiticeiros e astrólogos para que lhe interpretassem o sonho, mas ninguém lhe conseguia explicar o sonho. Até que chega Daniel.

Quando o rei viu Daniel lembrou-se que ele já lhe tinha interpretado um sonho, aliás, não só interpretou como adivinhou o sonho que o rei tinha tido. E o rei sabia que Daniel conseguia isso através da revelação de Deus.

O sonho do rei era o seguinte: havia uma árvore enorme que ocupava a posição central do reino. Essa árvore era imponente e forte, que chegava até ao céu. A árvore era tão grande que mesmo as terras distantes a conseguiam ver. Ela dava tantos frutos que todos os animais conseguiam comer dela e todos eram protegidos e sustentados por ela.

Mas Nabucodonosor vê o anjo do Senhor aparecer e anunciar que ia cortar a grande árvore e por sete anos essa árvore não ia ser forte, não ia alimentar nem proteger ninguém. Apenas a raiz da árvore ficaria.

A árvore ia estar como morta. Ela só não estava morta porque tinha a raiz e ia levar um anel á volta da raiz para a proteger.

Esta ordem era de Deus e ia durar por 7 anos para que todos soubessem que é Deus quem domina sobre tudo e todos.

Deus tinha dado a Daniel a explicação do sonho, mas a interpretação do sonho era tão má que Daniel teve receio de a contar.

Daniel gostaria que este sonho fosse contra os inimigos do rei, mas aquela sentença terrível ia ser mesmo contra o rei.

Daniel começa por explicar que a árvore imponente e forte que chegava até ao céu era o próprio rei, Nabucodonosor.

Sabemos que quem não obedecia ao rei e aos seus caprichos, quem não o adorava, assim como aos seus deuses, era tratado com crueldade, podendo morrer, mas sendo um reino poderoso dava sustento e proteção a todos, como aquela árvore que simbolizava a grande prosperidade do rei e do seu reino.

Mas essa prosperidade ia acabar.

Nabucodonosor ia deixar de estar entre os homens para ir viver com os animais selvagens. O rei ia comer erva como os bois, dormir ao ar livre e ser molhado pelo orvalho. E isto, durante 7 anos.

Talvez não houvesse nada mais baixo do que passar de um poderoso rei para um mero animal do campo.

Mas Deus é misericordioso. Deus podia ter acabado simplesmente com o rei e o seu reino, mas não o fez. Deus cortou a árvore e deixou ficar a raiz para trabalhar no coração de Nabucodonosor por 7 anos.

O rei tinha de perceber e aceitar que é Deus quem domina. Nabucodonosor tinha, não só, de ter consciência que Deus era soberano, mas também de admitir para si e para os outros quem mandava. Nabucodonosor tinha de aceitar Deus como uma realidade na sua vida. E quando isso acontecesse a árvore que tinha sido cortada, ia voltar a crescer.

O rei e o seu reino iam ser castigados, mas depois seriam restaurados.

Esta era uma sentença cruel, mas o rei tinha uma oportunidade de a alterar.

Daniel disse a Nabucodonosor que se tivesse um verdadeiro arrependimento dos seus pecados a sentença podia mudar.

Deus deu a Nabucodonosor um ano para se humilhar, mas, pelo contrário, Nabucodonosor cada vez mais orgulhava-se do seu grande e glorioso palácio assim como do seu poder.

Então, a árvore grande, poderosa e esplendida foi cortada, o rei foi expulso de entre os homens e foi morar com os animais do campo como um bicho.

Nabucodonosor ficou louco e viveu literalmente nos campos, separado por completo do mundo da razão. O corpo de Nabucodonosor encheu-se de pelos e as suas unhas tornaram-se como garras.

Deus estava a castigar duramente o rei para quebrar o seu orgulho, mas nunca deixou de o proteger. Deus fez com que o pelo de Nabucodonosor crescesse protegendo-o do sol e do frio e deu-lhe garras para se proteger dos inimigos.

Mas a história não acaba aqui. Passaram os 7 anos (não sabemos se foram 7 anos literais, mas sabemos que foi o período perfeito para quebrar o rei) e finalmente Nabucodonosor levantou os seus olhos ao céu e bendisse ao Senhor. Nabucodonosor louvou e glorificou a Deus. Nabucodonosor admitiu que era Deus quem reinava de geração em geração e que a Sua vontade prevalecia.

Tal como prometido, depois dos 7 anos o rei foi restaurado à sua posição. Nabucodonosor arrependeu-se e o seu coração foi restaurado, passando a adorar a Deus em vez de a si próprio, declarando a todos que Deus é o Altíssimo e que é Ele quem domina.

CONCLUSÃO

Deus é soberano e se quiser a nossa vida, Ele vai tê-la, nem que para isso tenha de usar meios menos agradáveis para quebrar o nosso orgulho.

O rei quis colocar-se no lugar que só pertence a Deus e por isso Deus mostrou-lhe qual era o seu verdadeiro lugar – ao pé dos animais.

Quantas vezes, dentro do nosso orgulho nos esquecemos de Deus e agimos como se fossemos donos da nossa vida. Mas a Bíblia diz que nós somos pó (Génesis 3.19).

Nabucodonosor sentiu a ira divina. Deus colocou o homem mais poderoso da época no meio dos bois, atacando assim o seu orgulho. Ninguém podia ajudar Nabucodonosor, embora ele fosse o homem mais rico e mais poderoso da terra. Deus feriu o seu orgulho para levá-lo à conversão.

E tu? Será que também tens de sentir a ira divina para entenderes que Ele é o Senhor da tua vida?

Deus começa por falar connosco mansamente. Por isso, não queiras ver Deus a ser mais claro. Se Ele quiser a tua vida, Ele vai tê-la. Aceita que Deus é soberano sobre tudo e todos.

Apesar de tudo, é melhor ficar louco e ser salvo do que ser mandado eternamente para o inferno.

Humilha-te e torna o Soberano Deus no Senhor da tua vida.

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Autor: Débora Pimentel