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Débora Pimentel
22 março 2026
4 min para ler
Personagens:
Médico - Vestido com bata
Igreja - Está com muletas
Médico – Igreja das dores, sala 3. Igreja das dores, sala 3. (Passado um tempo volta a chamar) Igreja das dores, sala 3.
Igreja – Ah desculpe sr. Dr. ultimamente estou a ouvir muito mal, então ao domingo não lhe digo nada.
Médico - Pode sentar-se. Então do que se queixa?
Igreja – De tudo sr. Dr.
Médico – De tudo, bem… tem de ser mais especifica.
Igreja – Bem até trouxe um papelinho para ver se não me esqueço de nada. Então vamos lá…
Como lhe disse, ando a ouvir muito mal, mas o engraçado é que não é sempre.
Médico – Sim… Em que alturas especificas é que deixa de ouvir?
Igreja – Na pregação. Não sei o que se passa é como se a camada de cera subisse e fizesse de tampão.
Médico – Deixe-me lá ver isso (examina os ouvidos). Pois… Já agora deixe-me ver como está o seu coração? Deixe-me escutá-la (Usa o estetoscópio). Está muito fraco, quase que não bate. Ele devia bater assim: “AMOR! AMOR! AMOR!” Mas só está a fazer: “Amoooor…” (diz com a voz fraca e arrastada)
Igreja- Pois, se isso é uma questão de amor, é normal, quer ver uma coisa. (Diz em voz alta para as mãos) Agora vamos cantar um corinho:
No Espírito Unido somos um no Senhor,
No Espírito Unido somos um no Senhor.
E imploramos que um dia nos unamos no amor.
Pelo amor conhecido é o cristão, pelo amor,
Pelo amor conhecido é o cristão.
De mãos dadas iremos, somos todos irmãos,
De mãos dadas iremos, somos todos irmãos…
(conforme vai cantado as mãos vão se afastando cada vez mais)
E é isto… viu. As mãos andam mesmo zangadas. E a cara viu nem uma pequena expressão de alegria.
Médico – Isso é preocupante. Então e mais…
Igreja – A boca Dr., a boca está muito mal. Só sabe dizer mal.
Médico – Isso não é nada bom.
Igreja – A perna também de um dia para outro deixou de trabalhar. Recusa-se mesmo a andar e é por isso que agora ando aqui com estas coisas (mostra as moletas).
Médico – Mas já tentou ver o que se passa.
Igreja – Acha que me vou estar a preocupar? Não quero nem saber…
Ah, tenho aqui o RX que fiz há uns tempos atrás.
Médico – Deixe lá ver. (Médico faz cara de preocupado).
Igreja – O que foi Dr.?
Médico – Os seus pulmões estão mirrados. Ainda bem que veio ao médico. Está com uma pneumotheós.
Igreja – Pneumo quê?
Médico – Pneumotheós, é quando deixamos de respirar Deus. Normalmente acontece quando ficamos insensíveis, não queremos ir ao médico… e deixamo-nos morrer sem fazer nada por isso.
Igreja – Sinto-me culpada. Já há algum tempo que ando sempre cansada, desmotivada… Devia ter vindo logo aqui... Mas não dei muita importância e agora…
Médico – Pois, por isso chegou a esta situação.
Igreja – Ah Dr. eu não quero morrer. O que posso fazer?
Médico – Bem, vou-lhe passar aqui uma lista de medicamentos, mas tem de os seguir à risca.
Igreja – Sim, senhor.
Médico – Primeiro e logo de manhã antes do pequeno almoço terá de tomar ”Fé” e fazer “Oração”. Mas não dos genéricos. Vai tomar medicamentos de referência. A fé não pode ser apenas uma fé de crer, mas uma fé de agir. A oração também terá de ser de joelho no chão.
Igreja – De quê? Não estou a perceber.
Médico – Não me diga está outra vez com uma falta de audição seletiva. Eu disse que a oração era de joelhos no chão e fazê-la várias vezes ao longo do dia. E, sempre que se sentir mais fraca, ora.
Depois vai tomar “Amor” 3 vezes ao dia. Mas se sentir irritada, toma este aqui “Amor SOS”.
Igreja – Então é melhor passar já 2 caixas.
Médico - E não pode deixar de ler a Bíblia.
Igreja – Essa já pode ser um genérico?
Médico – Não, tem de ler mesmo a Bíblia e pôr em prática.
Igreja - Ok, vou seguir tudo à risca.
Médico – Sim, sempre vigilante com a medicação. E já sabe, deve vir ter comigo com frequência para as consultas de rotina.
Igreja – Obrigado Dr., estarei aqui amanhã.

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