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Débora Pimentel
18 agosto 2025
5 min para ler
Quando Deus criou o homem, já tinha preparado anteriormente para ele o dia e a noite, o céu e o mar, a terra, as árvores de fruto e as flores, o sol, a lua e as estrelas, os peixes e as aves e por fim, os animais terrestres.
Tudo o que Deus tinha criado era bom, sem defeito. E o homem tinha tudo isto à disposição.
Há pessoas que gostam mais do dia outras da noite, mas ambos têm os seus encantos.
Quem não gosta de ficar a olhar para o céu e admirar o mar?
Quem não gosta de passear a admirar as flores do campo ou aproveitar a sombra de uma árvore?
Quem não gosta de sentir o calor do sol e ver as estrelas e a lua à noite?
Quem não gosta de ver os peixes a nadar e as aves a voar?
Quem não gosta de admirar a delicadeza e beleza de alguns animais e a força de outros?
Tudo isto foi feito para nós, para nos deliciarmos, deleitarmos e aproveitarmos. E em tudo isto podemos ver o amor e o cuidado de Deus.
Como não ser grato por tudo isto?
Infelizmente, a nossa tendência é reclamar e querer sempre mais.
O mesmo aconteceu com Adão e Eva.
O PARAÍSO NA TERRA (Gênesis 2:8-10)
Não bastasse tudo o que Deus havia criado, plantou um jardim que tinha todas as espécies de árvores, com fruta maravilhosa para comerem (Gênesis 2:8-9). No centro do jardim, Deus tinha colocado a Árvore da Vida e a Árvore da Consciência que dava a conhecer o bem e o mal (Gênesis 2:9). Do jardim nascia um rio que se separava em quatro braços (Gênesis 2:10). E, o melhor de tudo, podiam desfrutar da presença de Deus.
Tudo isto foi dado a Adão e Eva.
Tinham tanto para serem gratos!
E dentro de todas estas maravilhas foi dado uma restrição a Adão e Eva. Podiam comer de todas as frutas das árvores que Deus tinha plantado no jardim, menos da Árvore da Consciência, pois esse fruto ia-lhes dar o conhecimento do bem e do mal e, se o comessem, morreriam (Gênesis 2:16-17).
Podíamos dizer que com tanta coisa que Deus lhes tinha dado, não sentiriam necessidade de mais nada. Com tanta árvore de fruta para comerem, não iriam precisar de comer do fruto proibido.
Mas será que foi assim?
A GANÂNCIA (Gênesis 3:1-7)
Imaginem Adão e Eva, numa boa vida a aproveitarem de tudo o que Deus lhes tinha dado. O paraíso na terra!
Conseguem perceber como deviam estar gratos? Tinham tudo do bom e do melhor… mas quiseram mais.
Eva, tendo tudo, deixa-se ser tentada por uma serpente que a tenta enganar.
A serpente começa por criar dúvida em Eva ao perguntar-lhe: “É verdade que Deus disse que não deviam comer de nenhuma das árvores do jardim?” (Génesis 3.1).
E Eva em vez de virar as costas à serpente, dá-lhe conversa e diz-lhe: “Não. Nós podemos comer do fruto de todas as árvores do jardim. Só da árvore que está no meio é que não devemos comer. Dessa é que Deus disse que não devíamos comer e nem sequer tocar-lhe, senão morreríamos.” (Gênesis 3:2-3). Eva sabia tão bem o que Deus tinha dito, que até terá exagerado um pouco ao dizer que “nem podiam tocar”, pelo menos não temos essa informação em Gênesis 2:16-17.
Mas Eva deu espaço à serpente para continuar a tentá-la. E agora a serpente mente-lhe e cria-lhe o desejo da grandeza: “Não morrem nada! Deus sabe muito bem que no mesmo instante em que comerem esse fruto os vossos olhos abrir-se-ão e, tal como Deus, serão capazes de distinguir o bem do mal!”
Quem criou Adão e Eva? Quem lhes deu tudo o que tinham?
Será que Eva tinha o direito de desconfiar do que Deus lhe tinha dito? Será que Eva tinha razões para acreditar mais numa serpente do que no seu Criador?
Na verdade o discurso da serpente era mais agradável, sem restrições, sem castigos e mais tentador.
Eva tinha tudo, mas queria mais. Eva tinha todas as razões para ser grata, mas deixou-se aliciar pela grandeza, pelo poder.
Eva queria ser como Deus, distinguindo o bem do mal. Eva nem devia saber bem o que isso era, mas se iria ser como Deus, isso era a cereja no topo do bolo.
Eva, então, tentada pelo poder olha para a árvore, imagina como seria comer aquele fruto maravilhoso que, ainda por cima, lhe ia dar entendimento, apanha o fruto e começa a comer. E Adão, deixando-se levar pelo desejo também come a fruta.
E o que ganharam com isso? A morte. Pois é, a serpente mentiu!
Os olhos deles abriram-se, agora sabiam o que era o bem e o mal, agora sabiam que o que tinham era bom e o que os esperava era mau. Esse conhecimento levou-os a ficarem separados de Deus, do seu Criador.
Tinham tudo para ser gratos, mas com a vontade de ter sempre mais perderam tudo.
CONCLUSÃO
E nós? Temos tanto para dar graças a Deus, mas preferimos reclamar e desejar sempre mais. E é nesse desejo de termos mais que muitas vezes entramos em pecado.
Deus faz-nos promessas, temos provas de que Ele as cumpre, mas preferimos ir atrás da ilusão de termos mais.
Deus sabe o que precisamos e pode dar-nos muito mais do que pedimos ou pensamos (Efésios 3:20), mas não sabemos ser gratos pelo muito que Ele nos dá.
Quando somos gratos somos mais felizes, pois apreciamos o que temos em vez de desejarmos o que não temos.
Quando somos gratos mostramos a Deus que confiamos que Ele sabe o que é melhor.
Quando somos gratos aproximamo-nos de Deus pois reconhecemos como Ele é bom.
Quando somos gratos fazemos a vontade de Deus:
“Deem graças a Deus por tudo pois esta é a vontade de Deus…” (1 Tessalonicenses 5:18)

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